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Mushroomhead "Call the Devil" Review

O novo registo dos Mushroomhead, banda oriunda de Cleveland, Ohio, nos EUA, conta, desde já com mais uma mudança radical de formação: o baterista de sempre, Steve Felton, mantém-se apoiado na percussão por Robert Godsey com um novo baterista Ayden Kerr; a Steve Rauckhorst e Jackie LaPonza nas vozes vem-se juntar Scott Beck; mantêm-se Ryan “dr F.” Farrell no baixo, teclas, agora também na guitarra e guitarra; regressa Dave “Gravy” Felton na guitarra e apresenta-se Joe Gaal na guitarra (o que significa que os Mushroomhead voltaram a ter uma formação com duas guitarras, pela primeira vez desde Savior Sorrow de 2006).

O efeito destas mudanças de formação nota-se nomeadamente a nível das vozes, havendo uma menor variação ao nível de registos, notável logo no segundo tema do disco (e primeiro single com direito a vídeo) “Fall in Line”, onde se detacam as teclas e a voz de Jackie Laponza (esta a contrastar com o registo agressivo de Scott Beck).

Temas como “Eye to Eye”, assim como “Hideous” são agressivos com um groove muito próprio, na veia do que já conhecemos desta banda, relembrando “Come On” de Beautifull Stories for Ugly Children. Infelizmente, ausência momentos de descanso, exceptuando a balada “Grand Gesture” ou o sombrio “Torn in Two” acaba por prejudicar a audição de um disco tão longo.

O segundo tema com direito a vídeo, “Prepackaged”, destaca-se pela maior presença das teclas. Ora, a utilização extensa de teclados (de piano a sintetizador) é um dos pontos altos do disco e, uma das imagens de marca da música dos Mushrooomhead. Ao chegarmos a “Emptiness” temos uma variação de registo ao nível da guitarra, limpa, quase reggae na introdução e nos versos. A voz de Steve Rauckhorst ganha destaque aqui, assim como a passagem de piano na bridge.

O tema seguinte, “We don’t care” dá o merecido destaque a Jackie LaPonza nos versos, algo que o destaca no disco. Segue-se “UIOP (a final reprieve)”, um tema directo, mas que pouco varia do registo sonoro dos temas anteriores. Este é um dos aspectos mais gritantes em Call the Devil: apesar de a composição seguir a mesma linha de Wonderful Life, onde se notava o papel mais destacado de Ryan “Dr. F.” Farrell nesta vertente; aqui a diversidade sonora é mais reduzida, especialmente porque os registos em termos de voz de Scott Beck e Steve Rauckhorst são demasiado semelhantes, o que quase elimina um dos elementos centrais da sonoridade desta banda: o contraste entre as vozes. Mesmo no mais calmo “Decomposition”, onde a guitarra em registo limpo é, mais uma vez, algo a destacar; as vozes tendem a “misturar-se” em vez de se complementarem.

Em conclusão, Call The Devil é um disco que vem acrescentar pouco ao que os Mushroomhead haviam conseguido alcançar com Wonderful Life (singles de qualidade e variação sonora). Trata-se de um disco demasiado longo para a pouca diversidade que oferece. As excepções são: “Hallelucination” que se destaca pelo solo de guitarra no final; “Shame in a Basket” o tema mais longo e variado a nível de estrutura, (com um teclado sombrio a lembrar um xilofone no final); “Fall in Line” que é o tema mais captivante do disco e “Prepackaged”. 

Nota: 6/10

Review por Raúl Avelar