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Lynch Mob - "Babylon" Review


Desde que saiu de Dokken em 1989, por diferenças criativas com o vocalista Don Dokken, este tem sido o projeto principal de George Lynch (embora tenha sempre que o interesse financeiro dita, voltado a tocar com Dokken (Já falamos sobre isto, um músico vive de dinheiro, como qualquer comum mortal)), que a par de Vitto Bratta (White Lion) e Reb Beach (Winger) faz parte de uma segunda vaga de Guitar Heroes dos anos 80, onde podemos também incluir outros fabulosos interpretes como é o caso de Tony Macalpine e Jason Becker, para mencionar alguns.

É com agrado que constato que o músico desistiu da ideia de alterar o nome da banda, por causa da polícia da Internet, que cada vez mais tem apertado o certo a artistas em geral, apenas porque expressam as suas visões artísticas. Podemos concordar ou não com determinadas posturas, atitudes ou contextos, mas isso não quer dizer que eu é que estou certo e o meu vizinho é que está errado. Cada um tem direito a exteriorizar a sua interpretação como artista e nós ou gostamos, ou simplesmente voltamos as costas e focamos a nossa atenção noutra coisa. A questão não é muito difícil de resolver e não há necessidade de fazer grande alarido. 

Ao longo de 34 anos de carreira o som manteve-se quase inalterado na esteira do Hard ‘n’ Heavy, com a excepção de um álbum que alienou muitos fãs na altura em que foi editado, Smoke This de 1999 que apresentou um desvio para o Rap Metal / Nu Metal na tentativa de captar outros públicos, e embora admita que o disco é interessante, não é propriamente aquilo que quero ouvir deste músico, ainda que os solos sejam como sempre, fabulosos.   

Por falar em solos, este disco não vai desapontar os apreciadores deste guitarrista, pois continuam a ter melodia, técnica e um sentido de improvisação único. Há muito poucos guitarristas no mundo que tenham um timbre de guitarra tão identificável como este. Não se trata de um ginasta do Youtube, que consegue tocar quinhentas notas por segundo e combinar de forma frenética pentatónicos com escalas arábicas, é sim um músico que toca solos para servir a canção, não para substituir o levantamento de alteres. 

Para melhor ilustrar este conceito, ainda agora consigo acompanhar (com a voz, como é óbvio!) cada solo de guitarra presente no Rust in Peace dos Megadeth, mas não me consigo lembrar de nenhum solo de Malmsteen ou Impellitteri. 

No que toca à voz, desta vez não temos o talentoso Oni Logan a cantar mas o ilustre desconhecido Gabriel Colon chega perfeitamente para as encomendas, e embora não exale a personalidade que Oni ou mesmo Robert Mason tinham, tem uma voz forte e com um timbre que complementa perfeitamente a música criada por Lynch, segundado por um trabalho muito personalizado de Jimmy D’Anda (Bulletboys) na bateria e Jaron Guilino (Heavens Edge) no baixo. A secção rítmica sempre foi de importância cabal neste projeto e estes músicos estão à altura dos acontecimentos.

Não é nada de novo, mas também não é preciso estar constantemente a inovar, para fazer boa música, basta ter uma postura honesta e aproveitar a experiência adquirida ao longo dos anos para fazer um bom trabalho discográfico.

Nota: 7/10

Review por Nuno Babo