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Entrevista aos Stream of Passion



Dizer que a Marcela Bovio é uma das maiores influências do Metal sinfónico, e até mesmo de outros estilos musicais, não é suficiente. 
A talentosa vocalista dos Stream of Passion, que também fornece a sua voz a muitas outras bandas como Ayreon, Mayan, Dark Horse | White Horse, partilhou com a Metal Imperium algumas novidades sobre o último EP Beautiful Warrior (2023), dicas úteis em como alcançar o sucesso enquanto cantora musical, assim como um pouco da sua atividade nas redes sociais.
Um fogo interior que continua a arder, Marcela está sempre preparada e um passo mais à frente, provando que a trabalho árduo e prática trazem sempre resultados. No entanto, o EP dos Stream of Passion foi efetivamente escrito com o coração e mostra um novo ponto de viragem na história e na música da banda, especialmente após nove longos anos de paragem, quando A Way of Our Own (2014) foi lançado.

M.I. - Nasceste em Monterrey, México. Quando foi a primeira vez que te mudaste para a Europa para trabalhar com os Stream of Passion?

Na verdade, comecei a trabalhar com os Stream of Passion alguns anos antes de ir viver para a Holanda. Já éramos uma espécie de banda de longa distância desde 2005, eu acho. Creio que foi em 2004 ou 2005, não me lembro, mas depois gravei com Ayreon no The Human Equation, com Arjen Lucassen, e ele convidou-me para escrever um álbum em conjunto, e esse foi o primeiro álbum que fizemos à distância. Mudei-me para a Holanda em 2008, mas já trabalhávamos juntos há alguns anos antes disso.


M.I. - A tua formação musical é clássica e lírica, mas qual foi o culminar que te levou ao Rock e ao Heavy Metal? De acordo com a tua biografia, foi por volta dos 17 anos quando começaste a tocar algumas covers.

Sim! Comecei a ouvir bandas de rock e bandas alternativas como The Cranberries e gostei bastante. Por exemplo, You Oughta Know, de Alanis Morissette, ao ver essa mulher eu pensei: Ah, gosto muito. E, por algum motivo, comecei a ouvir também um pouco de metal. Havia um programa de rádio à noite em Monterrey, e eu ouvi algumas bandas que até hoje são as minhas favoritas, como Immortal da Noruega e My Dying Bride. Gosto muito da ideia do som ser pesado, mas com um vocal feminino, e bem dramático. Comecei a ouvir algumas dessas coisas e depois comecei a conhecer pessoas que também gostam da mesma música e o resto é história.


M.I. - As tuas influências são muito diversas, do rock ao jazz, ao gótico e até mesmo à música mundial. Esses estilos musicais deveriam ser sempre combinados na música que crias ou deveríamos deixar o jazz para os músicos de jazz e o Heavy Metal apenas para os metaleiros?

Bem, eu gosto da ideia de que parte disso escorre um pouco em tudo que eu faço, o que é algo que torna a criação da música um pouco mais interessante. No entanto, luto com a ideia de que, por exemplo, nos Stream of Passion sabemos o que é a música, certo? Há uma certa expetativa do que deveria ser, e não posso fazer um jazz metal com Stream of Passion, porque tem que ser de uma certa maneira. Então, o meu debate é que gosto de trazer pequenas influências, mas também há uma expetativa de que gosto de levar em conta, suponho.


M.I. - Também és uma talentosa violinista. A combinação perfeita para conseguir aquele som no metal sinfónico. No entanto, começaste como baixista, mas rapidamente passaste para o canto. Ainda sentes falta dos bons e velhos tempos de baixista?

Não, porque foram apenas alguns ensaios, e só porque não tinha ninguém que tocasse o baixo na banda. Não, realmente não sinto falta disso. Acho que o canto é definitivamente a minha praia.


M.I. - Já se passaram três anos desde o COVID-19, mas também da luta contra o cancro. Musicalmente falando, como é que estes eventos impactaram os teus projetos e futura carreira na música?

Bem, acho que por um lado fez-me querer ser mais vulnerável e mais transparente com as coisas que escrevo, que é algo que acho que sou agora, e é bom, porque tudo se encaixa mais perto das emoções do que é, algo que eu realmente gosto. E por outro lado, sou muito mais grata pelo que tenho. Eu era alguém que estava sempre à procura do próximo objetivo e da próxima conquista. Para ser sincera, agora não me preocupo tanto com isso. Tento não me preocupar mais com isso e apenas aproveitar o que tenho.


M.I. - És bastante ativa no YouTube com covers, sessões de guitarra e muito mais. Muitos músicos não são tão ativos nas redes sociais como tu. Além de ser uma ferramenta importante para alcançar um público maior, considerarias isto como uma carreira futura?

Acho que faz parte de toda a experiência, não é? Eu vejo isto como uma forma de me relacionar com as pessoas. Fico muito contente quando posto uma cover de uma banda que gosto e depois tem gente que também gosta, assim como eu. Ou até mesmo uma versão acústica de uma música, e aí eu vejo pessoas que tu conheces, que eu conheço, que me seguem e elas voltam para ouvir novas coisas. Sim. Eu também gosto. É uma forma de desfrutar, mas não sei se tenho as competências para ser uma profissional.


M.I. - Tu és coach de canto na Metal Factory, em Eindhoven, mas também coach de canto particular. Podias partilhar algumas dicas e sugestões em como alcançar o sucesso?

Praticar muito. Já agora, esta vai ser a lista de sugestões mais chata de todos os tempos. Praticar muito. Se alguém te disser que não tens uma voz bonita, dá-lhe um estalo na cara ou ignora-a, porque não existem vozes bonitas e vozes feias. É o que fazemos com o instrumento. Estou convicta que todos podem aprender, mas é preciso muito tempo, muita paciência e muita disciplina e não ter vergonha, porque principalmente no início se ouvires uma gravação da tua própria voz, é como se não gostasses, parece diferente.
Poder ouvir a própria voz, gravar bastante e ouvir ativamente o que gostavas de melhorar. Acho que isso também é muito importante. É como qualquer outro instrumento e acredito muito mais no trabalho do que no talento natural.


M.I. - Tu emprestas a tua voz a muitas bandas diferentes como Stream of Passion, Mayan, Dark Horse | White Horse, e ainda participas como cantora convidada em outras bandas. Quão fácil ou desafiante é para ti obter o som certo para aquela banda ao criar um novo álbum?

Vou correr o risco de soar um pouco arrogante, mas acho que, hoje em dia, é bastante simples para mim colocar uma determinada voz. Há coisas que sempre considero desafiantes, como por exemplo, recentemente fizemos shows com Ayreon na Holanda, e faço backing vocals para a maioria das músicas e Ayreon sempre me pede para cantar notas bem altas, e clássicas bem altas notas. Isso foi um desafio, mas tenho orgulho do facto de que sempre que estou a escrever melodias ou partes de canto para um projeto, escrevo-as em função do projeto, e não em função de mim mesma. Não se trata de mostrar o que quer que seja, trata-se do que melhor se adapta ao projeto.


M.I. - Os Stream of Passion trabalhavam com as promotoras InsideOut Music e Napalm Records, mas o último EP lançado em setembro de 2023 é independente. Algum motivo específico?

Deixa-me apenas dizer que, na verdade, já há alguns anos, deixamos a Napalm Records, porque não acreditávamos que eles entendessem o que queríamos fazer. Na verdade, o álbum anterior ao último EP, já havíamos lançado de forma independente. Fizemos isso também através de uma campanha de crowdfunding, e isso realmente abriu os nossos olhos para as possibilidades de fazer coisas assim, porque não nos deu apenas os meios financeiros para podermos produzir o álbum, mas também criou o conceito de comunidade com os nossos fãs que realmente sentiram que fizeram isto acontecer. Jamais esquecerei o momento em que lançámos aquela campanha do nosso álbum, conscientes da nossa ideia, e acho que pensámos assim: ah, nós nunca vamos fazer isto e depois, em 10 dias ou 11, a força dos nossos fãs atrás de nós era realmente incrível, e tínhamos tudo sob o nosso controlo. Não é como se tivesses o teu primeiro filho e depois o entregasses para outras pessoas fazerem outras coisas com ele agora. Provavelmente, continuaríamos a trabalhar dessa forma.


M.I. - Este EP foi claramente escrito com o coração, e depois de uma paragem, traz de volta aquele som sinfónico e melódico que os fãs tanto esperavam. Algum próximo álbum que podemos esperar?

Não temos realmente nenhum plano em concreto de continuar. Não estamos a escrever agora, mas acho que definitivamente iremos fazê-lo em algum momento. Atualmente, acabámos de lançar este EP e de promovê-lo, e estamos apenas a desfrutar do seu lançamento. Estou a gostar um pouco de paz desta tour mundial com os Blind Guardian. Talvez no próximo ano.


M.I. - Se não fosses música, que carreira considerarias seguir?

Bem, na verdade, eu estaria a trabalhar em informática, sistemas de computação e engenharia, e na verdade, paralelamente, faço um pouco disto. Acho que seria uma nerd de informática a tempo inteiro.


M.I. - Gostarias de partilhar uma mensagem com os nossos leitores e os teus fãs?

Sim claro! Olá! Obrigada pela oportunidade e obrigada pelo vosso apoio ao longo dos anos. Nós realmente esperamos que gostem deste EP, que foi lançado porque, como tu disseste, ele realmente vem do coração e adoramos ver que as pessoas o entendem e gostam de ouvi-lo. Esperamos que gostem muito.

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Entrevista por André Neves