Pela primeira vez em cerca de 16 anos de carreira, a banda finlandesa Poets Of The Fall, teve a sua estreia em Portugal, num concerto da tour de apresentação do álbum “Ultraviolet”. Nesta noite de rock, os portuenses Kandia, que têm vindo a ganhar fama, foram os convidados para fazer as honras da noite.

Terminada a atuação dos Kandia, o palco estava agora inteiramente dedicado à banda finlandesa. Em background, as cortinas decoradas com os visuais de “Ultraviolet” preenchiam o palco, iluminadas sob misteriosas luzes vermelhas, que lançavam o suspense no ar. Assinalava-se assim a entrada dos Poets Of The Fall em cena, deixando os fãs ao rubro. A setlist iniciou com “Dreaming Wide Awake” e a escolha não podia ter sido melhor. Um registo enérgico com aquela faísca, aquela chama que consegue agarrar de imediato e lançar boa disposição pela sala. Todos perdiam o controlo de si próprios e já se instalavam os gritos e braços no ar, que se mantiveram até ao final de “Locking Up The Sun”.
Surgiram as primeiras palavras de agradecimento, dirigidas aos ávidos fãs, mas sem grandes demoras. “False Kings” foi a escolhida para introduzir o novo álbum e trouxe consigo uma atmosfera diferente do habitual, distinta até daquilo que se imaginaria por parte de uma banda baseada no rock, é uma faixa requintada e que encaixaria perfeitamente num filme ao estilo de James Bond, sedutora e com muito cariz. De seguida, “Temple of Thought” representou o álbum do mesmo nome e logo depois, a banda tocou “Rogue”. Claro que não podemos deixar passar esta última sem fazer referência aos solos incríveis, interpretados por Olli Tukiainen e Jaakko Mäkinen nas guitarras, e Markus Kaarlonen no teclado. Tudo isto não seria possível se não fosse pela linha de baixo eletrizante de Jani Snellman. Foi uma performance de tirar a respiração.

À medida que nos aproximávamos da última parte da setlist, era possível observar o à vontade que os poetas tinham ganho, desde o início da noite, quem sabe por verem a sua estreia em terras lusas, a correr tão bem. As faixas que se seguiam, “Daze” e “Choice Millionaire” são, talvez, o melhor exemplo para ilustrar tudo isto a que nos referimos… E de que maneira! Os refrões delicados e gentis, mas o mesmo tempo aliciantes, permitiram ao vocalista mostrar a sua extensão vocal. No entanto, foi em “Late Goodbye” que se deu um dos momentos mais marcantes daquela noite, infelizmente a chegar ao fim, tal como anunciava a música. Aqui, retomaram-se as notas da guitarra acústica, desta vez num registo melancólico, envolto numa atmosfera mais escura, levada a cabo pelo teclado. As letras, essas contam uma história, que podemos imaginar com toda a clareza na nossa cabeça, eles são de facto verdadeiros poetas.
O espetáculo não podia terminar sem um encore em grande, até porque havia muitos fãs que ainda esperavam por um tema em particular… A banda retorna assim para “Diamonds For Tears”, seguida por “Lift”, introduzida por um fill fantástico na bateria. Por fim, a banda terminou a atuação com “Carnival Of Rust”, um dos temas mais esperados daquela noite e que foi o desfecho perfeito para um espetáculo fantástico.
Texto por Miguel Matinho
Fotografias por Hugo Rebelo
Agradecimentos: Prime Artists